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Inclusão, ilusão social ou algo real ?

  • 25 de fev.
  • 4 min de leitura


Você aceita a inclusão? se alguém chegar para você a resposta é automática: “claro que sim!” Mas, será que aceita mesmo? A palavra  tornou-se nos dias atuais algo que todos comentam, mas na prática pouco se coloca realmente  em ação. Por que a terminologia do termo não condiz com a realidade observada? Isso ocorre pelo simples fato que tudo que é diferente incomoda, seja aquela pessoa portadora de algum transtorno, deficiência, ou, as pessoas que para a sociedade são consideradas “anomias”, comunidade LGBTQIA+, negros, amarelos, pobres, mulheres, etc. 


Inúmeros programas de Estado são criados com o intuito de incluir aqueles  “excluídos” do meio social, contudo, ao verificar estes instrumentos criados para agregar, na realidade não alcançam o intuito inicial e muitas vezes acabam por excluir ao invés de incluir. Quando o Estado não garante a equidade e continua a mascarar ações e programas  que na realidade só existem no papel, vive-se a ilusão que o mundo tornou-se igual para todos, porém, na realidade a inclusão na sua face verdadeira não existe. Um dos exemplos a serem citados são as porcentagens de pessoas portadoras de deficiência que deverão compor  uma empresa, na prática essas pessoas são contratadas somente para cumprir uma meta da lei, pois, na realidade se não houvesse um instrumento para obrigar a contratação, as empresas não colocariam no seu quadro colaboradores, pessoas que não se “encaixam” no padrão social de um trabalhador “normal”. 


Para que realmente haja inclusão, seja no meio do trabalho, ou, no meio social precisa-se combater o preconceito estrutural, visto que, quando se insere na sociedade a máxima que negros, mulheres, pessoas portadoras de deficiência, homossexuais, religiões de matriz africana, pobres, nordestino, etc.,  são inferiores, foi criado uma “falsa verdade” que estes grupos estão destinados a “servir”, aos homens brancos, e se elas criam meios para protestar e conseguir garantir seus direitos, são rechaçadas e atacadas pois estão indo contrario a ordem social vigente, aquela criada por homens europeus do século XIX, que para colocar a Europa como o centro do mundo, inferiorizando aqueles que os europeus e  norte americanos acham que podem atrapalhar seus planos imperialistas. E até no recente momento este pensamento se perpetua na extrema direita mundial, exemplo observa-se no Brasil, onde o discurso discriminatório com “fakes” tornou-se o carro chefe da direita extrema fascista que ascendeu a partir de 2018. 


Para mudar a situação atual é necessário combater o extremismo a partir dos instrumentos sociais, Gramsci fala que  a burguesia passa seus valores ao trabalhadores a partir dos instrumentos burgueses, utilizando intelectuais, livros, músicas e religião para criar uma ilusão à classe trabalhadora que ela possui os mesmo direitos da burguesia sem verdadeiramente os ter. Essa estratégia sempre foi usada pela burguesia para melhor controlar o proletariado. Já a classe trabalhadora também pode “eliminar a ilusão” criada pela sociedade burguesa a partir de seus próprios instrumentos e intelectuais, esses são conhecidos como intelectuais ambientais, pois vieram da classe trabalhadora e das minorias, assim, para desconstruir o preconceito estrutural deve-se dar voz e vez aos “verdadeiros atores”, fazendo com que eles sejam protagonistas da verdadeira inclusão.


  Um exemplo como o protagonismo faz com que a realmente a inclusão e a equidade sejam colocadas em prática, aconteceu na Tailândia, que em 2024 aprovou o casamento igualitário, esse aceito por voto pela maior parte da população, assim em janeiro de 2025, pessoas do mesmo sexo puderam ter o registro de casamento igual a um casal heterossexual, essa conquista só foi possível a partir da normalização que todos têm o direito de amar e ser amado, com a expansão e consumo de mídia Boy Love, não somente pela comunidade Fujoshi e blezeira, mas por uma grande parte da população que passou a consumir o conteúdo das séries Bl ( boy love), vale lembrar que a Tailandia é um dos países que sempre tratou as pessoas trans como iguais, podem se assim quiserem defender as forças armadas, atuando em séries, fazendo cursos superiores, sendo tratados(as) como pessoas pertencentes a comunidade.


Diante do que foi exposto anteriormente essa desconstrução vindo dar voz a comunidade LGBTQIA+ tailandesa,  mostrou que esse grupo teve não somente um direito adquirido, como conquistou uma verdadeira inclusão dentro da sociedade tailandesa, evidente que há ainda muito a se lutar, já que pessoas preconceituosas existem em qualquer localidade do planeta, mas, ressalta-se que a Tailândia tem dado uma lição ao mundo que todos pertencem à mesma sociedade e têm direitos e deveres iguais. O mundo ocidental precisa ainda muito aprender com alguns países asiáticos, aqueles que não foram “contaminados” pelo pensamento ocidental. 


A sociedade ocidental sobrevive por aparelhos, por seu individualismo e por querer destruir tudo que possa tirar o “pedestal” dos homens brancos, velhos e que acham que todos são inferiores a eles. Não estamos colocando os povos amarelos como perfeitos, mas, muitos são os países em que a mentalidade coletiva se sobrepõe ao individualismo, e que todos temos direitos e deveres ( infelizmente homens doentes por poder e que esquecem o passado existem em todos os lugares).  Para que haja realmente uma equidade no ocidente, é necessário que a cultura individualista e do ter, seja erradicada, isso pode soar como uma utopia, mas, como já citado antes, se não ocorrer uma mudança eles podem cair por si mesmo, o mundo não é mais o mesmo de oitenta anos atrás. 


Por fim, a inclusão não é uma ilusão, porém, torna-se algo não assegurado a todos, pelo fato que a sociedade não quer o diferente, tem medo do diferente. E para que haja realmente uma equidade de direitos e deveres, primeiramente é necessário uma mudança profunda na justiça, política social e relação interpessoal. Porque ao mesmo tempo que os grupos minoritários, discriminados e não  vistos como “normais”, a sociedade precisa deles, para que a engrenagem do “corpo” possa funcionar, porque a UTI nunca será fechada e a evolução nunca será alcançada. O Homo Sapiens Sapiens precisa colocar seus 5% da massa cinzenta para funcionar e perceber que homens brancos, velhos e “tradicionais” não vivem para sempre e sua estrutura social, em sua fragilidade está prestes a desmoronar. A inclusão é um dos pilares para criar o mundo igual. E agora aceita a inclusão?

 

 


 
 
 

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